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quinta-feira, 25 de agosto de 2011 2 comentários

CAPÍTULO I


A HERANÇA

Dias atuais...


Já passava das duas quando Adam resolveu ir dormir. A noite não havia começado bem e, após doze tentativas fracassadas de completar o ritual, resolveu desistir. Doze era um número importante para os aptos. Doze privilégios, doze classes, doze círculos e doze elementos. O doze estava em tudo no mundo mágico, só não estava no último rito que tentara, e se não conseguira até agora isso só poderia ser um sinal: transmudar vidas ia contra as leis da natureza e o preço a ser pago era alto demais.
Do lado de fora de sua janela à chuva continuava a cair e o brilho dos relâmpagos iluminava suas últimas oferendas – sangue, suor e lágrimas – e o Livro Vermelho, aberto na última página e marcado com uma fita vermelha. O título estampava o motivo de seu fracasso: XCIX Canção do Livro Vermelho, o último ritual que todo alquimista jamais conseguira realizar. O ritual do Elixir da Vida Eterna.
terça-feira, 23 de agosto de 2011 1 comentários

CAPÍTULO III


A Surpresa


“A magia esta em mim, como também esta em você” – explicava a avó ao lhe mostrar um pequeno ritual de transmutação, em que um pequeno botão de cobre se convertia em bronze por meio do círculo vermelho – “Todo alquimista é capaz de executar as canções do Livro Vermelho se tiver a oferenda correta. Nesse caso, como é um ritual simples, uma simples moeda foi perdida, mas quanto maior o ritual, maior deve ser a oferenda. Lembre-se disso ao executar rituais complexos.” – e abria uma nova página no velho livro de capa vermelha e lhe mandava tentar o próximo – O vidro é mais exigente que o metal, então use algo mais apropriado. – e assim foi durante toda sua infância. Sempre que ia visitar a avó, ela arrumava um jeito de despistar seu pai para lhe ensinar a magia. Uma vez o enviou para recolher ervas, alegando que não estava muito bem e não gostava de remédios farmacológicos, em outra, alegou que os vizinhos estavam mexendo em sua certa, nos fundos do sítio e pediu que ele verificasse, e assim tinham muito tempo a sós para praticar.
domingo, 21 de agosto de 2011 0 comentários

CAPÍTULO V


A DECISÃO


Adam desceu as escadas preocupado. Havia marcado um passeio com Rebecca no parque, mas estava novamente sem dinheiro. Apesar de sua mãe receber pensão pela morte do marido e ter voltado a trabalhar, os gastos com a faculdade e com os livros sempre minavam suas economias. Desde que terminara o primeiro ano pensara em tentar um estágio em alguma veterinária ou fazenda da região, mas a mãe insistia que ele devia se concentrar nos estudos, que o resto ela daria conta.
Examinou novamente a carteira. Estava com míseros sete reais, amarrotados em meio a rascunhos, anotações e conta por pagar e ainda precisaria abastecer o carro que emprestara da mãe para levar Rebecca ao parque. A moça tinha oferecido seu Corolla para a ocasião, mas Adam recusara. Não queria ficar dependendo da garota para tudo e queria mostrar que era autossuficiente. Como último recurso, só restava pedir um empréstimo à mãe. Tentava evitar isso a todo custo já que vivia a lhe pedir trocados para se reunir com os colegas nos bares em frente à facul, e a mãe, apesar de não lhe negar, insistia que o filho deveria controlar os gastos.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011 0 comentários

CAPÍTULO VIII


O ENCONTRO


Uma moça sorriu e acenou para Adam no primeiro dia de aula na faculdade depois do luto pela morte da avó. A notícia se espalhara rapidamente e, depois do enterro, sempre aparecia alguém para lhe apresentar as condolências e desejar força. Sua mãe lhe pedira para ficar mais uns dias em casa, para por as idéias em ordem, mas Adam não quis. Precisava conversar a sós com Rebecca e quando a moça ia a sua casa, a mãe sempre ficava por perto dando atenção à garota e trazendo lanches e bebidas.
Entrou atrasado na sala e o professor parou a explicação para cumprimentá-lo enquanto seus colegas lhe preparavam uma carteira e pediam para que sentasse com eles.
– E ai cara? – perguntou Willian assim que Adam sentou-se ao seu lado – Como vai a força?
– Estou bem. Acho – respondeu guardando a mochila embaixo da carteira.
– Já descobriram os assassinos? – perguntou Ana, uma morena de olhos claros que escrevia para o jornal da universidade.
– Ainda não, mas os policiais estão otimistas, parece que já têm um suspeito e devem divulgar alguma coisa em breve.
terça-feira, 16 de agosto de 2011 0 comentários

CAPÍTULO X


O PLANO


Rebecca acordou no hospital se perguntando como chegara até ali. Lembrava-se da árvore à levantando do chão, do medo, do desespero e depois a queda. Quebrara algumas costelas, mas por sorte estava próxima ao solo quando o carvalho a soltou, se estivesse na copa provavelmente não teria sobrevivido ao tombo e agora estaria num caixão ao invés de em um hospital. Pelo menos nesse caso não estaria com tanta dor, pensou.
Levantou-se amparada a cama e tentou andar, mas estava muito fraca e teve que sentar e se escorar na cabeceira para não cair. Um relâmpago rasgou o céu e iluminou o quarto fazendo com que aflorasse lembranças da fuga no dia anterior. As imagens eram vagas e confusas, mas se lembrava que estava chovendo e chovendo muito, o que era bom considerando o incêndio que Adam havia causado no parque. Por que começou a chover? Pensou. O céu estava limpo, sem nenhum sinal de nuvens no momento da batalha, mas depois, de alguma forma, o tempo mudara radicalmente e começara o temporal, fato que perdurava até o presente momento. Porém, a dúvida persistia na cabeça da cabalista – teria sido coincidência, ou a chuvarada havia sido provocada? Depois de ter visto um ranger em ação, controlando as árvores do parque, ela não duvidava de mais nada.
 
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